DE INCOMENSURÁVEL VALOR!
Caro Kleber,
Além de belos, importantíssimos os teus versos.
Faço unir, pois, os meus poemas aos teus, pelos direitos humanos,
incondicionais e irrestritos.
Conte sempre com o meu apoio nesta luta aberta
contra a indignidade, a exploração, a desumanidade.
Vamos!
EXÉRCITO DE ANJOS
Pequenos, barrigudinhos
Olhares tristes, mansinhos
Sorrisos amarelados
Perambulam nas esquinas
Frágeis como passarinhos
Os meninos e as meninas
Filhos das filhas das ruas
Donos dos bancos das praças
Pés-de-vento, pés descalços
Desamados, destemidos
Perseguem-lhes os cães de raça.
Vira-latas das esquinas
Frágeis aves de rapina
Armados de pedra e pau
Os meninos e as meninas
Pastores das alvoradas
Atravessam madrugadas
Sempre em estado de graça
Adormecem ao relento
Parecem donos do tempo
Perseguem-lhes os cães de caça.
Borboletas sob o sol
Vaga-lumes sob a lua
Sem presente e sem porvir
Quebram cercas, pulam muros
Sem saber pra onde ir
Os meninos e as meninas
Entre ódios e branduras
Guerrilheiros de almas puras
Maltrapilhos, quase nus
Têm um coração que clama
Uma alma que reclama
São todos anjos da terra
Essas crianças de luz.
Katia Drummond
Sintra, Portugal.
Resposta do Poeta Antonio Kleber:
Caríssima Kátia:
“Exército de Anjos”! Caríssima Kátia Drummond: Saibas que é uma honra ter-te aqui, propugnando pela defesa de direitos tão caros à nossa sensibilidade. Só hoje tomei conhecimento das belíssimas estâncias lavradas em redondilhas. Foste muito feliz. Estes versos, ao fim, já não são teus, mas de todos aqueles que assumem a tribuna da denúncia, para lutar contra as ignomínias praticadas em escandaloso prejuízo das crianças desassistidas do mundo. Assim considero meus trabalhos: uma forma de passar a minha voz à frente, para proceder ao aniquilamento dos déspotas, dos pulhas, dos desumanos, dos insensíveis... e por aí afora! A tua poesia é um grito contra tudo isso e toda essa gente desqualificada, que, nem de perto, entende a importância da vida humana, ou o desespero das pessoas diante do sofrimento, da agonia, da morte, enfim. E maior, infinitamente maior, quando se trate do sofrimento de uma mãe, diante de um filho morrendo de fome, de sede ou de frio.Aliás, um portentoso grito! A tua poesia é importante, porque traz esperança. Continuemos!
####
PARABÉNS, AMIGO!!
Essas imagens sempre me deixam a pensar na injustiça social que nosso planeta vive. Sinto-me inerte diante de uma imagem que, infelizmente, é real, mexe com meu coraçao profundamente. Parabéns, amigo, por expressar tão bem através de poemas a sua sensibilidade e senso de humanidade.
Carmem Balestero - São Paulo
http://www.orkut.com.br/Main#FullProfile?rl=pcb&uid=12046495866873261708 (orkut)
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
UMA CANÇÃO AOS MENINOS EXPLORADOS
A terra é mãe parindo a dor e a cana
sob o canto de ferro dos facões.
O contingente infanto-juvenil
realiza ambições aristocráticas,
ao peso das taperas e dos trapos,
da cicatriz, do choro e da vergonha.
A terra é sorte dura e carrascal,
sustentando o progresso e a produção,
locupletando a burra desumana
do vil capitalismo dos soberbos,
cujo silêncio diante das procelas
revela a natureza das misérias
e as causas eficientes das tragédias.
Quantos cretinos dobram-se ao suborno,
negociando moral por bagatela,
negando ao desgraçado o pão da fome,
para engordar chacais capitalistas!
Tempo rudo, escabroso, primitivo;
insensibilidade sem fronteiras!
Emerge o abandono nas quadras cinzentas.
Há filhos prostrados à espera das horas,
lamento de fome, de rosas vencidas,
de corpos entregues às ruas de gelo.
Os sonhos das filhas precoces madrugam,
eis sombras cobrindo desejos banais!
O voto se ilude na escolha secreta;
é a crença sem fundos na fala cretina!
Magia de luzes, a farsa procria
fantástico mundo, deveras estranho,
levando às masmorras mais doses de fel!
Há homens funestos, idéias sombrias,
arrumam-se em rede de males sem conta,
montando discursos de pura vileza!
Propagando moral enegrecida,
resguardada em moirões apodrecidos,
esse tipo de gente assombra a História,
enquanto a insanidade vara o tempo.
Para aplacar a vida em desatino,
onde se encontra a chave dos mistérios?
Há quem despreze o sangue lucilante
vertido nos galpões da exploração
sobre a voracidade das correntes,
das máquinas dentadas das moendas,
das foices, das enxadas, dos gadanhos.
É o desdém da rotina patronal.
Em algum lugar, lamúrias noturnais
eclodem dos meninos explorados.
Escravos do silêncio e do abandono,
filhos do mundo triste da vergonha,
submetem-se ao látego da elite
que dilacera a carne e fere a honra.
As noites são cruas, desertas e frias,
concerto de ardis ao cansaço infantil.
O estranho cenário carcome as vontades,
entulha os desejos de sombra e receios,
enquanto ao relento fantasmas se aplicam
dançando ao tremor da luz débil do azeite.
Na procissão desesperada dos aflitos,
escorraçados pelo açoite das promessas,
segue a lamúria, segue a dor e segue o pranto,
na reza atônita que abisma as emoções.
Há ronda nua, tensa e impura pelos campos,
concretizando males, mortes, pesadelos!
A terra é mãe parindo a dor e a cana
sob o canto de ferro dos facões.
O contingente infanto-juvenil
realiza ambições aristocráticas,
ao peso das taperas e dos trapos,
da cicatriz, do choro e da vergonha.
A terra é sorte dura e carrascal,
sustentando o progresso e a produção,
locupletando a burra desumana
do vil capitalismo dos soberbos,
cujo silêncio diante das procelas
revela a natureza das misérias
e as causas eficientes das tragédias.
Quantos cretinos dobram-se ao suborno,
negociando moral por bagatela,
negando ao desgraçado o pão da fome,
para engordar chacais capitalistas!
Tempo rudo, escabroso, primitivo;
insensibilidade sem fronteiras!
Emerge o abandono nas quadras cinzentas.
Há filhos prostrados à espera das horas,
lamento de fome, de rosas vencidas,
de corpos entregues às ruas de gelo.
Os sonhos das filhas precoces madrugam,
eis sombras cobrindo desejos banais!
O voto se ilude na escolha secreta;
é a crença sem fundos na fala cretina!
Magia de luzes, a farsa procria
fantástico mundo, deveras estranho,
levando às masmorras mais doses de fel!
Há homens funestos, idéias sombrias,
arrumam-se em rede de males sem conta,
montando discursos de pura vileza!
Propagando moral enegrecida,
resguardada em moirões apodrecidos,
esse tipo de gente assombra a História,
enquanto a insanidade vara o tempo.
Para aplacar a vida em desatino,
onde se encontra a chave dos mistérios?
Há quem despreze o sangue lucilante
vertido nos galpões da exploração
sobre a voracidade das correntes,
das máquinas dentadas das moendas,
das foices, das enxadas, dos gadanhos.
É o desdém da rotina patronal.
Em algum lugar, lamúrias noturnais
eclodem dos meninos explorados.
Escravos do silêncio e do abandono,
filhos do mundo triste da vergonha,
submetem-se ao látego da elite
que dilacera a carne e fere a honra.
As noites são cruas, desertas e frias,
concerto de ardis ao cansaço infantil.
O estranho cenário carcome as vontades,
entulha os desejos de sombra e receios,
enquanto ao relento fantasmas se aplicam
dançando ao tremor da luz débil do azeite.
Na procissão desesperada dos aflitos,
escorraçados pelo açoite das promessas,
segue a lamúria, segue a dor e segue o pranto,
na reza atônita que abisma as emoções.
Há ronda nua, tensa e impura pelos campos,
concretizando males, mortes, pesadelos!
Ah, povos titulares da miséria,
entregues às desditas milenares,
ao jugo de comandos criminosos:
até quando seremos desespero?
A praga dominante faz vigília;
a Justiça que entrega é vinditosa,
o Amor que prolifera é engodatório
e o senso democrático inexiste.
No calabouço, os ais rendem lamúrias,
sob a vergasta rude da tortura,
visando cemitérios clandestinos.
O interesse econômico dos livres,
silencia perante tais barbáries,
mostrando o lado hipócrita da luta!
Repugnante o ranço e a ação apócrifa
emergentes das veias carrascais,
espicaçando a vítima do enredo
no trâmite da iníqua decisão.
A pompa e o desperdício afrontadores,
ridículo exsudar da vil riqueza,
é a fútil e desprezível violação
da infeliz condição do ser humano.
O cérebro motriz das arrogâncias
é fonte inesgotável das inciências,
forjadas nos resíduos ancestrais
trazidos de memórias desvairadas.
Ao som tosco da azenha nas usinas,
ao crepitar do fogo nas carvoeiras,
na quebração de pedra nos rochedos,
na colheita das palmas do sisal;
também nas fabriquetas clandestinas,
nos seringais, nas granjas, nas estâncias,
nos carnaubais, as folhas assassinas,
no comércio informal das avenidas,
na exploração hedionda e criminosa
do corpo das meninas miseráveis,
enfim, onde não ronca o açoite cruento?
Onde não ruge a nota da chibata?
Quantos meninos, quantos, espalhados
na imensidão dos campos, das montanhas,
dos litorais pesqueiros e das ruas,
rompendo o dia, a noite e a madrugada
ao molde escravocrata das senzalas,
ao som do canto triste das labutas!
Sim. É canto repetido aos quatro ventos,
pois se conscrevem crianças como escravas
no sisal, na olaria, na pedreira,
no trabalho brutal da carvoaria,
da salina, do rude canavial!
Gritos inúteis! Ah, gritos inúteis!
Quais trapos vivos que outros trapos repudiam,
olhos profundos pela insônia repetida,
seguem no atroz revezamento da vigília,
buscando ao longe a luz de novas esperanças.
Se o desditoso infante bóia fria
lacera-se na lida desumana,
ao rigor da omissão empresarial,
retornemos à história dos senhores
que nos corpos escravos perpetravam
as chagas lancinantes do chicote
em nome da ganância abominável.
Enorme é a sociedade cobiçosa
que espraia o germe inútil do desdém,
fingindo não saber que o desditoso
escava a própria cova passo a passo,
vencido pela fome, um és-não-és
chafurdado em nojosas podridões.
Desabrocham gemidos lamentosos
das taperas, calçadas, palafitas;
sob escadas, viadutos e marquises;
nas ruas, nas favelas e nos campos.
É a dor da mãe plangente em prostração
vendo o filho sofrendo ao deus-dará.
emergentes das veias carrascais,
espicaçando a vítima do enredo
no trâmite da iníqua decisão.
A pompa e o desperdício afrontadores,
ridículo exsudar da vil riqueza,
é a fútil e desprezível violação
da infeliz condição do ser humano.
O cérebro motriz das arrogâncias
é fonte inesgotável das inciências,
forjadas nos resíduos ancestrais
trazidos de memórias desvairadas.
Ao som tosco da azenha nas usinas,
ao crepitar do fogo nas carvoeiras,
na quebração de pedra nos rochedos,
na colheita das palmas do sisal;
também nas fabriquetas clandestinas,
nos seringais, nas granjas, nas estâncias,
nos carnaubais, as folhas assassinas,
no comércio informal das avenidas,
na exploração hedionda e criminosa
do corpo das meninas miseráveis,
enfim, onde não ronca o açoite cruento?
Onde não ruge a nota da chibata?
Quantos meninos, quantos, espalhados
na imensidão dos campos, das montanhas,
dos litorais pesqueiros e das ruas,
rompendo o dia, a noite e a madrugada
ao molde escravocrata das senzalas,
ao som do canto triste das labutas!
Sim. É canto repetido aos quatro ventos,
pois se conscrevem crianças como escravas
no sisal, na olaria, na pedreira,
no trabalho brutal da carvoaria,
da salina, do rude canavial!
Gritos inúteis! Ah, gritos inúteis!
Quais trapos vivos que outros trapos repudiam,
olhos profundos pela insônia repetida,
seguem no atroz revezamento da vigília,
buscando ao longe a luz de novas esperanças.
Se o desditoso infante bóia fria
lacera-se na lida desumana,
ao rigor da omissão empresarial,
retornemos à história dos senhores
que nos corpos escravos perpetravam
as chagas lancinantes do chicote
em nome da ganância abominável.
Enorme é a sociedade cobiçosa
que espraia o germe inútil do desdém,
fingindo não saber que o desditoso
escava a própria cova passo a passo,
vencido pela fome, um és-não-és
chafurdado em nojosas podridões.
Desabrocham gemidos lamentosos
das taperas, calçadas, palafitas;
sob escadas, viadutos e marquises;
nas ruas, nas favelas e nos campos.
É a dor da mãe plangente em prostração
vendo o filho sofrendo ao deus-dará.
Parido ao lume débil das candeias,
mais um filho na prole se conscreve.
Recrudesce a aventura por espaço
na tapera da dor e da lamúria.
O resguardo da mãe tem seu limite
no tamborete a um canto da cozinha.
Água, banha, farinha, eis o pirão
preparam-se ao banquete da miséria!
Eis a mãe no cuidar de cada dia,
e o pai rompendo as horas na doença,
enquanto o irmão reparte o leito roto!
Rudes mãos ao facão cumprem seu fado,
para aumentar o pão do pauperismo,
enquanto agora sofre mais um filho!
A sensação de morte prematura
explode nos bolsões do mundo inteiro
onde impere a miséria absoluta,
porque é assim que ordena a expetativa
nas almas reveladas às tragédias
diante dos filhos tísicos de fome.
Eis gerações perdidas ano a ano,
sob a encomenda torpe do destino,
que nunca distinguiu o bem do mau
na guerra desleal contra a miséria.
Sucedem-se etapas, estágios do tempo,
rodízios e ciclos, abelhas e rios,
vulcões, tantas vezes manhãs, noites, dias,
enquanto me entrego à oração do viver.
Os muros progridem, se alteiam, são óbices
que teimam em crescer sem dar tréguas ao passo,
colhendo a visão em flagrantes surpresas,
podando a emoção do prazer de seguir!
Atendo, sim, regras sociais, visões curtas,
preceitos estéreis de verbos sem base,
à voz milenar atendida sem gosto.
Há muito conflito plantado ao redor;
as víboras vencem ao lado da gente,
morando em costumes, morando em tratados!
É nesse espaço que entra o explorador
dos privados da sorte, dos aflitos,
tecendo lengalengas e promessas
aos sentidos minguados dos infantes.
Nessa ginástica de olímpica cruzada,
aproximando-se aos funéreos vendavais,
caminha o séqüito faminto e pessimista.
Há guetos nesta América de angústias,
matéria-prima ao lume das candeias,
apresentando a dor dos excluídos
sobre o piso rural dos latifúndios.
Mergulhados no lago do inconsciente,
abalados na base emocional,
exércitos inteiros de alijados
proclamam novas ordens sociais,
em rompimentos nus e conflitivos.
E eis foices, pás, enxadas e discursos
ressuscitando sonhos destroçados
pelos feudais senhores da opressão.
Na multiplicação dos atos rudes,
concretizam os ódios ancestrais.
A terra é disputada palmo a palmo;
é o resultado acerbo das promessas
egressas dos palácios do descaro.
explode nos bolsões do mundo inteiro
onde impere a miséria absoluta,
porque é assim que ordena a expetativa
nas almas reveladas às tragédias
diante dos filhos tísicos de fome.
Eis gerações perdidas ano a ano,
sob a encomenda torpe do destino,
que nunca distinguiu o bem do mau
na guerra desleal contra a miséria.
Sucedem-se etapas, estágios do tempo,
rodízios e ciclos, abelhas e rios,
vulcões, tantas vezes manhãs, noites, dias,
enquanto me entrego à oração do viver.
Os muros progridem, se alteiam, são óbices
que teimam em crescer sem dar tréguas ao passo,
colhendo a visão em flagrantes surpresas,
podando a emoção do prazer de seguir!
Atendo, sim, regras sociais, visões curtas,
preceitos estéreis de verbos sem base,
à voz milenar atendida sem gosto.
Há muito conflito plantado ao redor;
as víboras vencem ao lado da gente,
morando em costumes, morando em tratados!
É nesse espaço que entra o explorador
dos privados da sorte, dos aflitos,
tecendo lengalengas e promessas
aos sentidos minguados dos infantes.
Aos renegados não se dá futuro.
Meu nome está na lista dos sumidos.
Não há caminho aos pés, alhures vago,
sem pouso ou direção, ao deus-dará.
Ao éter foi-se a trilha do ideário,
as ânsias madrigais hoje sufocam.
O desespero aborda o corpo inerte,
que sequer imagina onde se encontra.
Gritos ecoam fortes no silêncio.
Sobre as idéias, cruzam-se urubus;
a podridão abraça os meus abraços.
Não pertenço à estatística dos vivos;
existo na agonia das passagens,
tal como a gente tanta falecida!
Nessa ginástica de olímpica cruzada,
aproximando-se aos funéreos vendavais,
caminha o séqüito faminto e pessimista.
Há guetos nesta América de angústias,
matéria-prima ao lume das candeias,
apresentando a dor dos excluídos
sobre o piso rural dos latifúndios.
Mergulhados no lago do inconsciente,
abalados na base emocional,
exércitos inteiros de alijados
proclamam novas ordens sociais,
em rompimentos nus e conflitivos.
E eis foices, pás, enxadas e discursos
ressuscitando sonhos destroçados
pelos feudais senhores da opressão.
Na multiplicação dos atos rudes,
concretizam os ódios ancestrais.
A terra é disputada palmo a palmo;
é o resultado acerbo das promessas
egressas dos palácios do descaro.
No gigantismo das polêmicas banais,
onde os assuntos são marcados pelo fútil,
a causa nobre é despejada na lixeira
e as causas pífias são lançadas nos anais.
E nesse enredo inglório e parco faz-se a história
movendo o mundo em direção ao precipício,
enquanto a fome, o ódio, o crime e a dor notória
transformam-se nos filhos vivos deste século.
Sofrendo dor pungente, segue o ser humano,
amalgamado à vida espúria da incerteza.
Pelos quadrantes, recrudesce a indiferença.
É uma vileza a seriedade dos discursos.
onde os assuntos são marcados pelo fútil,
a causa nobre é despejada na lixeira
e as causas pífias são lançadas nos anais.
E nesse enredo inglório e parco faz-se a história
movendo o mundo em direção ao precipício,
enquanto a fome, o ódio, o crime e a dor notória
transformam-se nos filhos vivos deste século.
Sofrendo dor pungente, segue o ser humano,
amalgamado à vida espúria da incerteza.
Pelos quadrantes, recrudesce a indiferença.
É uma vileza a seriedade dos discursos.
A colheita é mandíbula de fera
que aos poucos dilacera imberbes vidas,
consumindo-as nas brasas que ainda vingam
após as labaredas da limpeza.
A colheita é também um faconaço
rompendo da consciência inexperiente
em direção à carne sem defesa
do jornaleiro infanto-juvenil.
A cegueira patrona é uma tragédia,
embora justifique seus contratos
como obra social de relevância.
A sorte dos meninos, entretanto,
desmascara a indecente hipocrisia
da vil capatazia sanguessuga.
Nesse mar proceloso de aflições,
servindo de joguete às infernais
idealizações dos safardanas,
agitam-se as crianças lamurientas,
sucumbindo ao desterro do infortúnio.
De sol a sol, abóbora, feijão,
água salobra e um catre pro descanso.
Das mãos desnudas, brotam calos vivos;
do peito nu, renascem cicatrizes;
do rosto frio, emerge o olhar sem rumo.
É na alma que os grilhões da dor se aferram.
Legião subnutrida e analfabeta,
é o inocente instrumento da ambição,
enquanto a liberdade voa ao léu.
Hipócritas históricos confundem
a sociedade inteira com inverdades;
não revelam que a fome e as opressões
que pairam sobre os lares carcomidos
são as lídimas fontes das revoltas.
Tirânica República do Olvido,
negando o pão sagrado aos que, famintos,
multiplicam anônimos carneiros
nos pagãos cemitérios dos banidos.
Não há pobreza digna, onde a fome
protagoniza o enredo do destino
da prole anestesiada em pesadelos.
que aos poucos dilacera imberbes vidas,
consumindo-as nas brasas que ainda vingam
após as labaredas da limpeza.
A colheita é também um faconaço
rompendo da consciência inexperiente
em direção à carne sem defesa
do jornaleiro infanto-juvenil.
A cegueira patrona é uma tragédia,
embora justifique seus contratos
como obra social de relevância.
A sorte dos meninos, entretanto,
desmascara a indecente hipocrisia
da vil capatazia sanguessuga.
Nesse mar proceloso de aflições,
servindo de joguete às infernais
idealizações dos safardanas,
agitam-se as crianças lamurientas,
sucumbindo ao desterro do infortúnio.
De sol a sol, abóbora, feijão,
água salobra e um catre pro descanso.
Das mãos desnudas, brotam calos vivos;
do peito nu, renascem cicatrizes;
do rosto frio, emerge o olhar sem rumo.
É na alma que os grilhões da dor se aferram.
Legião subnutrida e analfabeta,
é o inocente instrumento da ambição,
enquanto a liberdade voa ao léu.
Hipócritas históricos confundem
a sociedade inteira com inverdades;
não revelam que a fome e as opressões
que pairam sobre os lares carcomidos
são as lídimas fontes das revoltas.
Tirânica República do Olvido,
negando o pão sagrado aos que, famintos,
multiplicam anônimos carneiros
nos pagãos cemitérios dos banidos.
Não há pobreza digna, onde a fome
protagoniza o enredo do destino
da prole anestesiada em pesadelos.
Há meninas parindo nos escuros
e meninos morrendo nos confrontos,
sob o surdimutismo dos governos.
É ação do monstro cruel e furibundo
nascida na consciência do homem público
articulada à luz dos insensíveis.
Humildes desgraçados, silenciem!
Os de cabeça baixa, que se enterrem!
Os que se sintam réus injustiçados,
sucumbam sob a ação dos sacrifícios!
Diante dos crimes sórdidos que abundam
- propinas, peculatos, homicídios -,
todos se calam contra a corja espúria,
formadora de exército canalha!
Os honestos dão vida às omissões,
recolhendo a bandeira dos protestos,
sob a descrença imprópria que lhes move.
Enquanto o vil metal esquenta as meias,
as cuecas e as pastas extorsivas,
a Justiça se omite, encolhe as armas!
Orações desabrocham dos tratados,
morrendo sobre as flores dos discursos,
enquanto a economia em desatino
enrica os malandrins da pátria débil,
multiplicando os feles dos sem-nada.
Aumenta o desemprego nas comunas,
diante da anomalia da receita
do público orçamento social.
Flagelo assolador, canto do mal,
bandeira degradante, aterradora,
rompendo a altanaria das famílias,
marcando o burburinho das procelas!
A manipulação fria dos números
custa a área social morte e miséria;
no entanto, engorda a bolsa dos banqueiros,
dando amplidão à sanha dos subornos
no emocionante jogo dos engodos.
Todo silêncio é raiva sem limites
na plantação do açoite carrascal,
onde a esperança morre nascitura.
É a guerra desigual impondo as tramas
sobre o cascalho quente e sobre as minas,
sobre os canaviais e sobre a brita!
Chegam os cancioneiros das revoltas
tecendo cantos sobre sofrimentos.
A marmita operária não tem nome
nos quartéis da tortura absoluta,
onde a chacina solda a dor ao grito
no processo do espúrio eliminar.
As madrugadas rendem-se às tocaias
perante salteadores de casebres,
onde se flagra o tiro das milícias
sob a visão da morte encomendada.
O sangue esborrifado nas paredes
revela surrealista inspiração
brotada dos neurônios oficiais.
Agouro natural proclama a vida,
prenunciando a agonia do mortal.
Em pouco, a podridão do festival
preparará aos vermes a acolhida.
Na ante-sala, o sujeito do festim,
algaraviado, toma-se em delírios,
prevendo flores lindas - rosas, lírios... -,
sob a sanção do algoz do eterno sim.
Na algidez, sobre o tampo mortuário,
infenso a despedidas lamurientes,
o corpo expõe-se ao luto dos presentes.
No correr do velório, chega o horário
em que a lágrima encerra o corolário
dos adeuses ao morto mais recente!
Na sorumbática e espantosa osteografia,
segue o epidérmico chocalho de ossos vivos,
na monolítica sinfônica da fome!
Algum dia, porém, há de vingar
o pleito da Justiça verdadeira
- hoje cega aos precoces calos nus -,
alçando da imundície das esteiras,
toda criança que não tenha um lar,
vivendo ao lado dos instintos crus!
e meninos morrendo nos confrontos,
sob o surdimutismo dos governos.
É ação do monstro cruel e furibundo
nascida na consciência do homem público
articulada à luz dos insensíveis.
Humildes desgraçados, silenciem!
Os de cabeça baixa, que se enterrem!
Os que se sintam réus injustiçados,
sucumbam sob a ação dos sacrifícios!
Diante dos crimes sórdidos que abundam
- propinas, peculatos, homicídios -,
todos se calam contra a corja espúria,
formadora de exército canalha!
Os honestos dão vida às omissões,
recolhendo a bandeira dos protestos,
sob a descrença imprópria que lhes move.
Enquanto o vil metal esquenta as meias,
as cuecas e as pastas extorsivas,
a Justiça se omite, encolhe as armas!
Orações desabrocham dos tratados,
morrendo sobre as flores dos discursos,
enquanto a economia em desatino
enrica os malandrins da pátria débil,
multiplicando os feles dos sem-nada.
Aumenta o desemprego nas comunas,
diante da anomalia da receita
do público orçamento social.
Flagelo assolador, canto do mal,
bandeira degradante, aterradora,
rompendo a altanaria das famílias,
marcando o burburinho das procelas!
A manipulação fria dos números
custa a área social morte e miséria;
no entanto, engorda a bolsa dos banqueiros,
dando amplidão à sanha dos subornos
no emocionante jogo dos engodos.
Todo silêncio é raiva sem limites
na plantação do açoite carrascal,
onde a esperança morre nascitura.
É a guerra desigual impondo as tramas
sobre o cascalho quente e sobre as minas,
sobre os canaviais e sobre a brita!
Chegam os cancioneiros das revoltas
tecendo cantos sobre sofrimentos.
A marmita operária não tem nome
nos quartéis da tortura absoluta,
onde a chacina solda a dor ao grito
no processo do espúrio eliminar.
As madrugadas rendem-se às tocaias
perante salteadores de casebres,
onde se flagra o tiro das milícias
sob a visão da morte encomendada.
O sangue esborrifado nas paredes
revela surrealista inspiração
brotada dos neurônios oficiais.
Agouro natural proclama a vida,
prenunciando a agonia do mortal.
Em pouco, a podridão do festival
preparará aos vermes a acolhida.
Na ante-sala, o sujeito do festim,
algaraviado, toma-se em delírios,
prevendo flores lindas - rosas, lírios... -,
sob a sanção do algoz do eterno sim.
Na algidez, sobre o tampo mortuário,
infenso a despedidas lamurientes,
o corpo expõe-se ao luto dos presentes.
No correr do velório, chega o horário
em que a lágrima encerra o corolário
dos adeuses ao morto mais recente!
Na sorumbática e espantosa osteografia,
segue o epidérmico chocalho de ossos vivos,
na monolítica sinfônica da fome!
Algum dia, porém, há de vingar
o pleito da Justiça verdadeira
- hoje cega aos precoces calos nus -,
alçando da imundície das esteiras,
toda criança que não tenha um lar,
vivendo ao lado dos instintos crus!
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