Há meninas parindo nos escuros
e meninos morrendo nos confrontos,
sob o surdimutismo dos governos.
É ação do monstro cruel e furibundo
nascida na consciência do homem público
articulada à luz dos insensíveis.
Humildes desgraçados, silenciem!
Os de cabeça baixa, que se enterrem!
Os que se sintam réus injustiçados,
sucumbam sob a ação dos sacrifícios!
Diante dos crimes sórdidos que abundam
- propinas, peculatos, homicídios -,
todos se calam contra a corja espúria,
formadora de exército canalha!
Os honestos dão vida às omissões,
recolhendo a bandeira dos protestos,
sob a descrença imprópria que lhes move.
Enquanto o vil metal esquenta as meias,
as cuecas e as pastas extorsivas,
a Justiça se omite, encolhe as armas!
Orações desabrocham dos tratados,
morrendo sobre as flores dos discursos,
enquanto a economia em desatino
enrica os malandrins da pátria débil,
multiplicando os feles dos sem-nada.
Aumenta o desemprego nas comunas,
diante da anomalia da receita
do público orçamento social.
Flagelo assolador, canto do mal,
bandeira degradante, aterradora,
rompendo a altanaria das famílias,
marcando o burburinho das procelas!
A manipulação fria dos números
custa a área social morte e miséria;
no entanto, engorda a bolsa dos banqueiros,
dando amplidão à sanha dos subornos
no emocionante jogo dos engodos.
Todo silêncio é raiva sem limites
na plantação do açoite carrascal,
onde a esperança morre nascitura.
É a guerra desigual impondo as tramas
sobre o cascalho quente e sobre as minas,
sobre os canaviais e sobre a brita!
Chegam os cancioneiros das revoltas
tecendo cantos sobre sofrimentos.
A marmita operária não tem nome
nos quartéis da tortura absoluta,
onde a chacina solda a dor ao grito
no processo do espúrio eliminar.
As madrugadas rendem-se às tocaias
perante salteadores de casebres,
onde se flagra o tiro das milícias
sob a visão da morte encomendada.
O sangue esborrifado nas paredes
revela surrealista inspiração
brotada dos neurônios oficiais.
Agouro natural proclama a vida,
prenunciando a agonia do mortal.
Em pouco, a podridão do festival
preparará aos vermes a acolhida.
Na ante-sala, o sujeito do festim,
algaraviado, toma-se em delírios,
prevendo flores lindas - rosas, lírios... -,
sob a sanção do algoz do eterno sim.
Na algidez, sobre o tampo mortuário,
infenso a despedidas lamurientes,
o corpo expõe-se ao luto dos presentes.
No correr do velório, chega o horário
em que a lágrima encerra o corolário
dos adeuses ao morto mais recente!
Na sorumbática e espantosa osteografia,
segue o epidérmico chocalho de ossos vivos,
na monolítica sinfônica da fome!
Algum dia, porém, há de vingar
o pleito da Justiça verdadeira
- hoje cega aos precoces calos nus -,
alçando da imundície das esteiras,
toda criança que não tenha um lar,
vivendo ao lado dos instintos crus!
e meninos morrendo nos confrontos,
sob o surdimutismo dos governos.
É ação do monstro cruel e furibundo
nascida na consciência do homem público
articulada à luz dos insensíveis.
Humildes desgraçados, silenciem!
Os de cabeça baixa, que se enterrem!
Os que se sintam réus injustiçados,
sucumbam sob a ação dos sacrifícios!
Diante dos crimes sórdidos que abundam
- propinas, peculatos, homicídios -,
todos se calam contra a corja espúria,
formadora de exército canalha!
Os honestos dão vida às omissões,
recolhendo a bandeira dos protestos,
sob a descrença imprópria que lhes move.
Enquanto o vil metal esquenta as meias,
as cuecas e as pastas extorsivas,
a Justiça se omite, encolhe as armas!
Orações desabrocham dos tratados,
morrendo sobre as flores dos discursos,
enquanto a economia em desatino
enrica os malandrins da pátria débil,
multiplicando os feles dos sem-nada.
Aumenta o desemprego nas comunas,
diante da anomalia da receita
do público orçamento social.
Flagelo assolador, canto do mal,
bandeira degradante, aterradora,
rompendo a altanaria das famílias,
marcando o burburinho das procelas!
A manipulação fria dos números
custa a área social morte e miséria;
no entanto, engorda a bolsa dos banqueiros,
dando amplidão à sanha dos subornos
no emocionante jogo dos engodos.
Todo silêncio é raiva sem limites
na plantação do açoite carrascal,
onde a esperança morre nascitura.
É a guerra desigual impondo as tramas
sobre o cascalho quente e sobre as minas,
sobre os canaviais e sobre a brita!
Chegam os cancioneiros das revoltas
tecendo cantos sobre sofrimentos.
A marmita operária não tem nome
nos quartéis da tortura absoluta,
onde a chacina solda a dor ao grito
no processo do espúrio eliminar.
As madrugadas rendem-se às tocaias
perante salteadores de casebres,
onde se flagra o tiro das milícias
sob a visão da morte encomendada.
O sangue esborrifado nas paredes
revela surrealista inspiração
brotada dos neurônios oficiais.
Agouro natural proclama a vida,
prenunciando a agonia do mortal.
Em pouco, a podridão do festival
preparará aos vermes a acolhida.
Na ante-sala, o sujeito do festim,
algaraviado, toma-se em delírios,
prevendo flores lindas - rosas, lírios... -,
sob a sanção do algoz do eterno sim.
Na algidez, sobre o tampo mortuário,
infenso a despedidas lamurientes,
o corpo expõe-se ao luto dos presentes.
No correr do velório, chega o horário
em que a lágrima encerra o corolário
dos adeuses ao morto mais recente!
Na sorumbática e espantosa osteografia,
segue o epidérmico chocalho de ossos vivos,
na monolítica sinfônica da fome!
Algum dia, porém, há de vingar
o pleito da Justiça verdadeira
- hoje cega aos precoces calos nus -,
alçando da imundície das esteiras,
toda criança que não tenha um lar,
vivendo ao lado dos instintos crus!

Nenhum comentário:
Postar um comentário