quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A sensação de morte prematura
explode nos bolsões do mundo inteiro
onde impere a miséria absoluta,
porque é assim que ordena a expetativa
nas almas reveladas às tragédias
diante dos filhos tísicos de fome.
Eis gerações perdidas ano a ano,
sob a encomenda torpe do destino,
que nunca distinguiu o bem do mau
na guerra desleal contra a miséria.

Sucedem-se etapas, estágios do tempo,
rodízios e ciclos, abelhas e rios,
vulcões, tantas vezes manhãs, noites, dias,
enquanto me entrego à oração do viver.

Os muros progridem, se alteiam, são óbices
que teimam em crescer sem dar tréguas ao passo,
colhendo a visão em flagrantes surpresas,
podando a emoção do prazer de seguir!

Atendo, sim, regras sociais, visões curtas,
preceitos estéreis de verbos sem base,
à voz milenar atendida sem gosto.

Há muito conflito plantado ao redor;
as víboras vencem ao lado da gente,
morando em costumes, morando em tratados!

É nesse espaço que entra o explorador
dos privados da sorte, dos aflitos,
tecendo lengalengas e promessas
aos sentidos minguados dos infantes.


Aos renegados não se dá futuro.
Meu nome está na lista dos sumidos.
Não há caminho aos pés, alhures vago,
sem pouso ou direção, ao deus-dará.

Ao éter foi-se a trilha do ideário,
as ânsias madrigais hoje sufocam.
O desespero aborda o corpo inerte,
que sequer imagina onde se encontra.

Gritos ecoam fortes no silêncio.
Sobre as idéias, cruzam-se urubus;
a podridão abraça os meus abraços.

Não pertenço à estatística dos vivos;
existo na agonia das passagens,
tal como a gente tanta falecida!

Nessa ginástica de olímpica cruzada,
aproximando-se aos funéreos vendavais,
caminha o séqüito faminto e pessimista.

Há guetos nesta América de angústias,
matéria-prima ao lume das candeias,
apresentando a dor dos excluídos
sobre o piso rural dos latifúndios.
Mergulhados no lago do inconsciente,
abalados na base emocional,
exércitos inteiros de alijados
proclamam novas ordens sociais,
em rompimentos nus e conflitivos.
E eis foices, pás, enxadas e discursos
ressuscitando sonhos destroçados
pelos feudais senhores da opressão.
Na multiplicação dos atos rudes,
concretizam os ódios ancestrais.
A terra é disputada palmo a palmo;
é o resultado acerbo das promessas
egressas dos palácios do descaro.
No gigantismo das polêmicas banais,
onde os assuntos são marcados pelo fútil,
a causa nobre é despejada na lixeira
e as causas pífias são lançadas nos anais.

E nesse enredo inglório e parco faz-se a história
movendo o mundo em direção ao precipício,
enquanto a fome, o ódio, o crime e a dor notória
transformam-se nos filhos vivos deste século.
Sofrendo dor pungente, segue o ser humano,
amalgamado à vida espúria da incerteza.
Pelos quadrantes, recrudesce a indiferença.
É uma vileza a seriedade dos discursos.




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